Tecnologia: paraíso artificial

por Pedro Salomão

Esse é um escrito contraditório. Antes de avançar, partamos de alguns pressupostos: o primeiro é de cunho estritamente biológico; nascemos, consequentemente, morreremos. O segundo diz respeito à reprodução do plano espiritual a nossa realidade através da tecnologia. Após a compreensão desses fatores podemos prosseguir.

De fato viver não é algo fácil. Existe um fragmento da Bíblia afirmando que “são mais felizes os que já morreram do que os que ainda vivem, e mais feliz que ambos é aquele que ainda não nasceu”. Ou seja, viver é também padecer, agüentar, resumidamente, sofrer. No entanto, com o passar do tempo, surgiu o que hoje conhecemos por tecnologia. Ela, primordialmente surgiu justamente para tentar compensar esse sofrimento vital. Ao longo da História percebemos o quanto a técnica científica evoluiu. Basta citar que a internet tem pouco mais de 10 anos – uma criança histórica. Contudo, cabe aqui uma análise para além dessa perspectiva de benevolência tecnológica.

Não quero parecer um tanto quanto rude com os agentes da medicina avançada, mas qual o objetivo de tal área senão o atraso à morte? Tudo porque o ato de morrer tornou-se o pior dos sofrimentos, o que é uma inverdade. A tecnologia avança sem precedentes, nunca se viu em toda história complexas relações tão dependentes dela. Quantas pessoas conseguiriam viver sem a tecnologia dos celulares, computadores, sem a internet – meio pelo qual divulgo esse texto? Tudo se torna muito complicado se imaginarmos um mundo sem tais conhecimentos.

O que nos é vendido como primordial para existência, na verdade não passa de uma cópia artificial do “mundo espiritual”. O pensamento é onipresente, se pensamos em qualquer lugar ou coisa, mesmo não estando lá ou tocando-a, sabemos que aquilo é aquilo. No entanto, isso é uma atividade unicamente imaginativa, afinal, não fomos feitos para nos tele-transportar. A questão crucial é: a tecnologia nos vende uma falsa idéia de locomoção, comunicação, na qual o objetivo é o comodismo, ou não-sofrer.

O objetivo aqui estabelecido não é julgar os benefícios e malefícios da tecnologia, mas, tão somente, incentivar a percepção de que a vida é sofrimento. Não este passado a nós como algo ruim, reparados primorosamente pela tecnologia, mas aquele do aprendizado de ler um livro por horas a fio, sofrendo na busca pelo conhecimento.

Torna-se impossível delimitarmos as arestas que compõe a verdade única e absoluta. Mas, podemos através do mundo intelectual descobrir pelo menos quais as mentiras.

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