AS CONTRADIÇÕES DO CAPITALISMO: O QUE DIZEM AS ESTATÍSTICAS

Um dos aspectos mais chocantes do século  XXI se encontra na suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo em que se arvoram em defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas, imperialistas,  são determinadas pelas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária.

Os números pesquisados pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) fornece-nos uma visão geral da natureza lucrativa da venda de armas – deixando alguns chacais satisfeitos com a doutrina da guerra sem fim.

Apesar das constantes crises econômicas globais, as vendas totais de armas, segundo do Top SIPRI 100 – que analisa as maiores empresas armamentistas do mundo – aumentaram 14,8 bilhões dólares. Para um dos responsáveis pela pesquisa, o Doutor Susan Jackson, o motivo é bem claro, “Os gastos do governo dos EUA em bens militares e serviços é um fator chave no aumento de vendas de armas”.

Dos 100 maiores industriais bélicos, 78 estão nos Estados Unidos (45) e Europa Ocidental (33) – leia-se, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido. Juntas, elas arrecadam o montante de 367 bilhões de dólares.  Uma evidencia importante: Nenhuma das empresas do Top SIPRI 100 está na América Latina ou África.

Além do extermínio de milhares de pessoas por essas “armas lucrativas”, outra mazela também afeta o mundo com igual voracidade: a fome. E, assim como os lucros angariados com sangue e pólvora, esta falência social também é planejada. Ao conferirmos mais alguns números temos essa dimensão.

Os 500 indivíduos mais ricos do mundo têm um rendimento conjunto maior do que o dos 416 milhões mais pobres. Dos 20 homens mais ricos da América Latina, 11 são estadunidenses. Estes possuem uma fortuna de U$ 521.9 bilhões, o equivalente a um terço de toda riqueza dos 49 países listados pela revista Forbes – responsável pela pesquisa.

Enquanto isso, o número de pobres não pára de crescer e já chega a 307 milhões de pessoas no mundo. Segundo o Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países que seguem o misterioso curso rumo ao utópico desenvolvimento.

A partir de dados recentemente publicados pela ONU, até 2015 os países a margem do sistema capitalista poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

54 milhões de pessoas passam fome na América Latina, segundo o director-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

211 milhões de latino-americanos e caribenhos vivem abaixo da linha de pobreza, com um aumento de 11 milhões desde 1990.

Sete países reúnem dois terços das pessoas com fome do planeta (Bangladeche, China, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão). A região que conta com o maior número de pessoas subalimentadas continua a ser a Ásia e Pacífico, com 578 milhões de pessoas. É na África Subsariana que a percentagem de pessoas subalimentadas continua mais elevada, com 239 milhões de pessoas em 2010, ou seja, 30%.

“Uma criança morre a cada 6 segundos de complicações ligadas à malnutrição. A fome continua a ser a maior tragédia do mundo e um escândalo”, afirmou o Director-Geral da FAO, Jacques Diouf.

A cada 3,5 segundos, morre um ser humano de fome.

Enfim, a realidade que alimentou e justificou tais eventos, de proporções cataclísmicas, não apenas agora, mas no decurso da História, continua bem viva. As desigualdades em todo o mundo, sobretudo, a partir do “triunfo” do liberalismo nos anos oitenta, são cada vez maiores. Assim caminha a humanidade; a passos largos rumo ao abismo.

A pergunta é: Ainda há saída, ou beiramos o caos apocalíptico?

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