A irracionalidade da razão

Quem poderia responder a nossas indagações mais internas; a razão ou o Amor?       

Por Adversus

A essência da sociedade moderna é a racionalidade. Desde que a lógica antropocêntrica iluminista suprimiu a crença medieval, os supostos eruditos racionais ganharam terreno. Excomungaram a religião e toda idéia do suposto deus, criminoso e gerador de alienados. Naquele período, o que estivesse ligado à doutrina pseudo-cristã era um traço irracional para a compreensão da totalidade. Assim, a substituta ideológica da vaga deixada pelo catolicismo foi à razão.

A lógica antropocêntrica teve que redesenhar o conceito do homem sobre si próprio e, consequentemente, a sociedade que o circundava. O avanço científico foi um aliado nessa nova formulação ontológica, entretanto, o conhecimento humano, que na Grécia percorreu os mistérios do “ser”, agora, com o avanço industrial, passou a interessar-se pelos segredos do ter. Sob esse viés, podemos notar que o antropocentrismo levou o ego humano a uma escala tal, que o econômico ditava [e ainda dita] as regras sociais.  Ou seja, podemos evidenciar que a razão foi se desenvolvendo juntamente com a superestrutura econômica, na qual estamos fundamentados.

Esse caminho favoreceu a classe burguesa que, ao longo do século XIX, propagou o liberalismo econômico como característica preponderante aos países que almejavam o “progresso”. A trilha de cada elite local levou o povo a um engendramento àquele ideal de modernidade, onde cada indivíduo passava a corroborar com uma ética “não-ética” de lucros proveniente da exploração de si próprio por uma minoria que lhe prometia um Estado democrático. Dessa forma, o ideal progressista industrial levou o povo a um pensamento de auto-subdesenvolvimento onde a tecnologia foi – e ainda o é – a cura de todos os males sociais e isso é-nos profetizado pelos seus sacerdotes, os economistas. Nesse sentido, voltamos à estaca zero; se a sociedade era doutrinada e alienada pela religião e todo seu deturpado aparato teológico, o que nos leva a crer que agora, encabrestados pela lógica racional de um sistema antropocêntrico, somos mais livres? Estaria errado em admitir que tanto um quanto o outro não nos dá a resposta exata de como devemos agir frente ao nosso habitat? Se a lógica medieval foi destruidora, seríamos equivocados em assumir que o saldo do racionalismo foi igual ou pior que a sua antecessora? E que o fracassado antropocentrismo não conseguiu ordenar, mas, ao contrário, alimentou o monstro chamado ego? Nesse sentido, podemos afirmar que já vivemos na perigosa doutrina egocêntrica racionalista – característica essencial dos psicopatas? Desse modo, exageraríamos em afirmar, veementemente, que são eles os dominadores desse mundo?

Ora, não estamos errados em garantir que tanto a religião do medievo quanto a racionalidade moderna não só iludiu o homem quanto a sua essência, mas o distanciou da Verdade Cósmica, deixando-o a deriva de uma historia ilógica. Afinal, a ciência ainda não conseguiu comprovar a questão elementar de nossa existência, que é; Qual o sentido da vida? Acaso encontraríamos a resposta no lucro? No prazer efêmero? No culto ao corpo? No status social? Numa sociedade sem classe? Bem sabemos que não! Nenhuma delas conseguiria contemplar o homem com a visão universal, que em seu interior, ele tanto almeja encontrar.

***

Dentro de tal contexto ainda nos suscita uma fagulha de esperança, ou estamos fadados ao caos? Se não transcendermos a uma dimensão que nos possibilite enxergar o que somos, incorremos a frustração de uma existência sem sentido. É ai que se encontra à importância da visão Cristológica, pois, é certo que o juramento de Deus aos seus escolhidos está para além do firmamento.

Quando dizemos que a maior alegria de um cristocentrista é saber que não pertence a esse mundo governado pelo Príncipe das trevas, o senso comum logo nos atesta como loucos, vivendo através de um mito. Tamanha ignorância há nesses acusadores racional-materialistas, pois confundem dogmas com o Legítimo Saber. Enquanto o primeiro tem o objetivo de adequar os ensinamentos da Palavra às suas conveniências, interpretando de forma enganosa os ensinamentos de Deus [como o miserável catolicismo medieval], o segundo é a Palavra Viva, que jamais volta vazia – ela é aceita como maná de revitalização da consciência de quem somos perante o Criador, ou atestado da maldição para os que a recusam.

Essa deturpação frente à sabedoria cósmica da História muito se deve pela estratégia do Inimigo na construção das megalópoles regidas por um fluxo urbano-industrial sem limites. As cidades industrializadas e seus avanços tecnológicos, endossadas pela fantasia do progresso rumo à utópica modernidade – muito em voga nesse começo de século XXI – na verdade, é um estaleiro de hiperestímulos que transforma o ser humano em escravos racionalizados; indivíduos com alto grau de arrogância, ganância e toda sorte de males, como outrora advertiu o apóstolo Paulo (II Tim 3: 1-9). A maximização das pessoas não é o maior problema, a grande calamidade se encontra quando notamos que todos os indivíduos estão infectados pela moléstia degenerativa do pecado. Essa pandemia se propaga em grau cada vez mais perigoso, causando toda série de mazelas à proporção que o tempo passa e caminhamos rumo ao julgamento do Todo-Poderoso.

O conjunto de estratégias malignas teve/tem como objetivo maioral; afastar o homem do seu Senhor – o que causou, causa e causará uma névoa obscura em escala planetária. Isso significa que, ao se tornar centro do mundo [antropocentrista], o ser humano nega o Criador e sucumbe ao abismo mundano, torna-se súdito de Satanás e perde as miríades cósmicas de redenção e gozo eterno.

Todavia, na dialética das realidades – sensível e espiritual – a visão científica, que tem como base as explicações pelo mundo dos sentidos físicos, indo, no máximo, ao entendimento do intelecto da alma, é a antítese do Espírito de Deus que habita em nós [humanos], por ser matéria prima da salvação. Ora, sendo a síntese a fase superior do contexto cósmico-dialético, por se tratar da negação da negação – aqui compreendida pelo mundo dos sentidos e da razão – conclui-se que o corpo espiritual – incorruptível e consciente de si e do seu Criador – torna-se o cumprimento do ciclo macrohistórico, que tem como objetivo anunciar a destruição das hostes malignas profetizadas pelo julgamento Divino desde o começo dos tempos. Enfim, será a superação de uma realidade racionalista e pecaminosa por um retorno a paz infindável, de corpos incorruptíveis, vida eterna e amor.

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